Geral / Março 13, 2018

Amanhã vou ser Feliz

Faz parte do senso comum pensar que a felicidade é a meta emocional da corrida que é a vida. Se conseguirmos o emprego desejado, se vivermos numa casa sonhada, se casarmos com a pessoa certa e tivermos filhos sem defeitos nenhuns…

…então seremos felizes para sempre. Foi assim que nos habituamos a imaginar essa linha final, o lugar em que tudo o que precisávamos para ser felizes já foi conquistado. Foi desta maneira que interiorizámos um padrão de felicidade, o qual parece estar intrinsecamente ligado a concretizações externas e imaculadas. Como se em algum momento da vida tivesse havido uma só partícula de tempo em que tudo estivesse perfeito. E como se primeiro tivesse que acontecer qualquer coisa de extraordinário, para só depois resultar esse sentimento de felicidade.

É interessante por isso ter em conta as mais recentes investigações da Psicologia Positiva que nos dizem que o contrário também é verdadeiro. Ou seja, existem momentos de felicidade que surgem de forma natural e cuja energia extra que deles resulta, promove um melhor desempenho no trabalho, nas relações com os outros ou na saúde física. A felicidade resulta não só como consequência de objectivos já cumpridos mas também é o estado de espírito que serve de alavanca para se perseguirem objectivos futuros. Todas as pessoas estão equipadas com um sistema emocional onde a felicidade está incluída. Não são apenas as angústias, as inseguranças ou as incertezas, são também estados de bem estar, alegria e entusiasmo que são parte integrante do património de emoções de todos nós.

Barbara Fredrickson é provavelmente a maior investigadora do papel das emoções positivas no desempenho das pessoas. A ela se deve a Teoria das Emoções Positivas Broaden and Build (Construir e Ampliar) que sugere que as emoções são sobretudo funcionais. As emoções negativas servem para limitar os nossos pensamentos e comportamentos e ajudam-nos a tomar decisões importantes em momentos de stress ou perigo. As emoções positivas, inversamente, servem para expandir os nossos recursos sociais, físicos e cognitivos. Quando estamos bem dispostos, tornamo-nos mais curiosos, mais sociáveis, mais criativos e um pouco mais saudáveis. O nosso sistema imunitário funciona melhor, o sistema cardiovascular recebe um impulso que favorece a resolução de problemas e a perseverança em levar a cabo tarefas difíceis. Estas emoções provocam, em recíproca relação, uma melhor auto-aceitação, uma maior recetividade social por parte dos outros, um acréscimo dos sentimentos de propósito e mestria na gestão das situações, bem como um alívio significativo nos sintomas de doença habitualmente experimentados.

Há inclusivamente evidências neuroquímicas que relacionam as emoções positivas com a amplificação dos sentimentos de confiança nas relações com os outros, e vice versa, criando o que a autora designa por “espiral positiva ascendente”. Entre os benefícios que se podem associar à experiência das emoções positivas está uma motivação suplementar, maior produtividade no trabalho, menor exaustão emocional, aumento da eficácia nas tomadas de decisão, aumento do pensamento criativo ou recuperações mais rápidas de acidentes ou convalescenças.

Posso deixar para ser feliz amanhã. Mas amanhã não é que me pode cair uma árvore em cima da cabeça? E, assim sendo, não terá dado jeito nenhum adiar a minha decisão.

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