Geral / Março 6, 2018

Forte como o Aço

Ser forte é aquilo que se espera que sejamos. Quanto maiores os desafios que enfrentamos, mais se exige que tenhamos uma resposta à altura das circunstâncias.

Deixarmos de lado as dúvidas e as inseguranças e partirmos para uma nova etapa de concretizações nunca vistas. Procurando no passado experiências onde nos possamos inspirar e crenças antigas que nos orientem. Pensando sempre que o futuro não é uma actualização constante do passado. Mas sim um livro em branco, onde novas aventuras se podem contar de maneiras novas. Não ter ainda encontrado um amor que nos abalroe, não significa que esse amor não esteja para acontecer já ali no mês que vem. Não ter ainda conseguido os resultados esperados no lançamento de um projeto, não significa que o seu sucesso não esteja à beira de se manifestar.

Não sabemos. Sobretudo porque há uma enorme quota parte que não está dentro da nossa esfera de influência mais restrita. Que é aquela em que os resultados só dependem da nossa intervenção. À medida que vamos dando asas às nossas ideias e aos nossos desejos, e vamos largando fio para que se lancem no mundo, aumentam as variáveis com que passamos a ter de contar. Integramos outras pessoas e acrescentamos uma complexidade que implica algumas demoras. Os mais esotéricos envolvem as energias do Universo. Os mais mentais  falam de números e folhas de excel. Os mais emocionais descrevem estados de alma que imprimem cores às diferentes etapas. Os mais práticos fazem coisas, umas atrás das outras. Fazemos todos, um bocadinho de tudo isto, de forma intermitente. Porque há momentos em que temos de ser racionais e outros sobretudo entusiásticos. Porque há alturas em que é preciso fazer coisas muito concretas e outras apenas acreditar em algo que ainda não se vê.

Ser forte como o aço é vestir estas roupagens no decorrer de um processo de mudança. Saber quando mudar de papel e transfigurar-se naquilo que é preciso. Com a barriga a contorcer-se de borboletas inquietas e a garganta em espasmos de ai jesus, como é que vai ser. Acreditar que basta um pequeno momento de serendipidade para que a vida se volte a encaixar como um puzzle. São assim os saltos quânticos que nos empurram para novas fases. Apenas um momento minúsculo, uma centelha de tempo, uma micro partícula de um segundo qualquer. Um telefonema, uma mensagem ou uma conversa que se expandem para além das palavras, e eis um canal de vida nova que se abre como uma auto-estrada.

Ser forte como o aço é aguentar a ansiedade do desconhecido sem morrer pelo caminho. É perceber que, aconteça o que acontecer, não deixamos de ser quem somos. Levamos connosco os tesouros preciosos que constroem a nossa identidade e as pessoas que nos ajudam a manter essa coesão. O resto são extras. Podem ser finalmente resultados palpáveis de sementeiras longas em que investimos. Podem ser caminhos alternativos às metas que traçámos para nós. Podem ser mais provas para superar num caminho que ainda não está completo. Pode ser tudo como sonhámos ou pode ser só uma parte. Mas é sempre qualquer coisa. Qualquer coisa para nos agarrarmos e seguirmos em frente. Mesmo nos dias estagnados em que parece que não. Ser forte como o aço é renascer a partir de uma vida que já está a decorrer e recomeçar de um ponto sempre mais à frente. Viver é isto, não há volta a dar.

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