Geral / Janeiro 29, 2018

Avaliação. E depois?

Se há coisa frustrante como gente grande dentro de boa parte das empresas do nosso país, são os sistemas de avaliação de desempenho. Desde aqueles que se estão a borrifar para o assunto e…

…põem as cruzes todas no parâmetro espectacular, aos que as distribuem ao calhas como nas chaves aleatórias do totoloto, a pergunta que se impõe é porque raio criaram uma tarefa tão importante e lhe confinaram uma função tão estúpida. As intenções que presidem à avaliação de um colaborador, seja ele qual for, foram por princípio as mais nobres que se possa pensar. Incentivar o desenvolvimento profissional. Identificar necessidades de formação. Promover a motivação. Facilitar os canais de comunicação entre as pessoas e as suas chefias, ou melhor, entre as chefias e as suas pessoas, uma vez que durante muito tempo este processo era meramente unilateral. Era o momento, geralmente anual, em que ao colaborador eram dados uns minutos de atenção personalizada, com o objectivo de o informar onde exactamente é que se tinha excedido em capacidade e excelência, caso as tivesse demonstrado, e onde é que havia um rol de aprendizagens para encetar e/ou consolidar.

Os tempos mudaram e as fórmulas evoluíram. Agora toda a gente avalia toda a gente, em rotações de 360 graus, o próprio a si próprio, aos colegas, à chefia, e mais recentemente também, o cliente sobre os serviços que lhe são prestados. Não há empresa que se preze que não queira saber os níveis de desempenho dos seus colaboradores, sobretudo daqueles próximos do público, praticamente em tempo real. Ainda o funcionário não acabou de debitar a cassete a que o obrigam 1500 vezes ao dia, já o questionário de satisfação nos está a atropelar a chamada, ou a cair no email ou, para os mais tradicionais, a entrar via correio postal. Nada disto é errado, pelo contrário, o controlo minucioso e a micro gestão são dois dos segredos do sucesso rumo aos resultados. O problema que se põe é o que acontece depois de implementados sistemas de avaliação de desempenho tão sofisticados. E o que é que acontece no grosso dos casos? Oh, que chatice, não acontece nada.

Muitas vezes chega-se ainda à parte da criação de planos de desenvolvimento. Fica-se com um diagnóstico e com um plano de ação. Fantástico. Consumiram-se centenas de horas de trabalho mas chegou-se a conclusões. Mais, sabemos como operacionalizá-las. Está lá, no papel, tudo descrito em mapas com colunas muito arrumadinhas de O Quê, Como, Onde e Quando. Mas depois, só de pensar na trabalheira que aquilo dá, ter de tomar decisões, fazer mudanças, enfrentar a inércia. Ufa, esqueçam lá isso. Deixa mas é estar tudo como está. Assim como assim, as coisas vão andando. As coisas vão andando enquanto o ecossistema do mercado empresarial se vai alterando. Insidiosamente, assiste-se ao surgimento de uma massa de micro, pequenas e médias empresas que estabelecem uma rede de sinergias colaborativas. Apostam no fortalecimento de relações de confiança, transformando a elevação dos seus pontos fortes em novas configurações de excelência. Validam-se, empurram-se e puxam umas pelas outras consecutivamente. São ágeis a pôr os seus planos de ação em prática. Na luta entre paradigmas, alimentam a sua boa saúde da inquietação de fazer sempre melhor, acrescentar valor e ser cada vez mais úteis na sua missão.

O mundo está em mudança. E, felizmente, muitos de nós, depois de nos avaliarmos recíproca e consecutivamente, mudamos mesmo para melhor.

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