Geral / Janeiro 20, 2018

O problema não sou eu. És mesmo tu.

Houve uma altura aqui há uns anos, na fase de lançamento da Pick up a Star,  onde aconteceram uma espécie de fenómenos do entroncamento. Por qualquer razão que ainda hoje não consigo descortinar, atraí na minha direcção, com uma frequência desconcertante, um conjunto de…

…pessoas bastante estranhas, das quais felizmente perdi completamente o rasto. E não, não eram os meus primeiros clientes. Não vá o facto do cerne da minha profissão ser resolver problemas de pessoas, de vez em quando também elas problemáticas, sugerir essa opção. Os meus primeiros clientes, e os segundos, e todos os que lhes sucederam até hoje, são pessoas maravilhosas. Pessoas com as quais, muitas vezes, se seguiram relações de amizade, parceria ou colaboração em diversos formatos. Pessoas com desejos de evolução, pessoal e profissional, que apostam tempo e esforço na expansão das suas competências e daqueles que as rodeiam.

Aqui refiro-me a colegas das mais diversas áreas, empreendedores como eu, que me desafiavam para projectos muito fofinhos e úteis e espectaculares, e que depois desapareciam como que engolidos por um eclipse total. Não tivesse eu a consciência tranquila sobre a minha ética e comportamento irrepreensíveis para com essas pessoas estranhas, e talvez conseguisse discorrer sobre alguma explicação lógica para as suas atitudes. Ou se tivesse sido apenas uma pessoa isolada, traída pelas suas idiossincrasias, a coisa tivesse ficado logo arrumada e esquecida. Mas não. Foram bem uma mão cheia de pessoas estranhas no espaço de mais ou menos um ano. Não posso aqui descrever com pormenores os meandros de cada caso para não expor nenhum dado indevido das suas identidades. Mas posso escrever o que me apetecer sobre o impacto que as suas atitudes bizarras e incompreensíveis tiveram em mim naquela fase amalucada.

Quando pensava que os projectinhos estavam a um passo de arrancar, organizada e estruturada a sua preparação, depois de ter perdido um tempo precioso sem fim em reuniões, almoços de brainstorming e jantares de networking, eis que as comunicações começavam a ser esquisitóides. Mensagens de messenger espaçadas, telefonemas não atendidos e emails sem resposta. Doenças súbitas, problemas familiares e viagens inadiáveis. E bom, toca de me questionar onde raio é que eu estava a falhar na avaliação dos meus semelhantes. O que me levava a embarcar em compromissos profissionais de forma tão consecutiva com personalidades tão inconsequentes? Que tipo de energia estava eu a emanar, sabendo que, em todos os casos, a iniciativa havia partido das tais pessoas estranhas?

Era a lei da atracção no seu pior.

Boas doses de tempo perdido em questões centradas nos meus potenciais erros de cálculo. A rodopiar em espirais de perguntas sem resposta que consumiram vitalidade para outras aventuras mais proveitosas. Para concluir o óbvio. Que apenas podemos responder por quem somos, pelo que fazemos e como fazemos. E que há casos assim, veja-se lá a ironia, que o problema não somos nós. O problema é, mesmo, a estranheza das pessoas estranhas. E o melhor mesmo que temos a fazer é parar de andar em círculos auto-inquisitórios, e seguir com as nossas vidinhas.

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