Geral / Janeiro 15, 2018

Atirar a toalha ao chão. Só que não.

Há momentos em que parece que chegámos ao fim da linha. Não aguentamos mais, demos tudo, as horas da semana, os tempos livres, o suor, as lágrimas e a roupa do corpo. Atirámos com tudo para segundo plano para ir atrás…

…de um projecto de vida, de um sonho que se tornou uma missão, de uma relação amorosa exigente ou de uma necessidade de sobrevivência financeira gritante. Demos tudo, não temos nem mais uma gota de nada, só cansaço, desânimo e falta de esperança. Há momentos críticos, em que o desespero toma conta de nós e consome toda a história de pequenas conquistas que entretanto fomos conseguindo. Ficamos minados de uma desesperança tão grande que só apetece atirar a toalha ao chão. Atirar o corpo todo para o chão, na verdade. Ficar embrulhados em posição fetal, abrigados dos ruídos do mundo e das luzes inúteis, incapazes de dar sentido ou alumiar a escuridão em que mergulhamos.

Quem nunca?

Não queremos milagres, nem saltos quânticos. Só queremos que a vida role sem tanta resistência, pelo menos durante períodos tão prolongados e consecutivos. Passam-se dias e semanas e meses e anos e as ideias e as intenções e os afectos que queremos mesmo levar adiante demoram o que nos parece uma eternidade para ganharem forma. Para nascerem, crescerem, aprenderem a andar e ser autónomos como as pessoas. Ou a maioria delas, pelo menos. Ah, dias tramados aqueles em que entramos naquele buraco negro da angústia, das dúvidas, das perguntas cujas respostas enviesamos negativamente. Vai correr tudo mal, não vou conseguir, não me vou safar a tempo, não vai dar. Acabou, vou ter de desistir, agora é que vai ser porque as dificuldades do presente parecem sempre mais assustadoras do que todas as que já ultrapassámos no passado, mesmo que recente.

Quem nunca?

O nosso cérebro tende para a catastrofização. É um defeito de fabrico da espécie humana. Um vírus que vive dentro de nós, pronto a acordar a qualquer momento. Há umas pessoas mais susceptíveis do que outras à sua manifestação. Há mesmo alguns de nós que transformam a própria vida num inferno por causa de tanto se porem à mercê dos seus efeitos. Porque a catastrofização consome todo e qualquer pensamento positivo. A compaixão por nós mesmos, o balanço equilibrado dos acontecimentos, o otimismo face ao futuro, as relações com os outros e mesmo a realidade dos factos. Arrasa com tudo como um fogo devastador. Fica tudo em chamas cá dentro e dói que se farta. E quando acalma, deixa atrás de si uma paisagem de terra queimada e crepitante que são os nervos em estado de sítio.

Nesses momentos é preciso oxigénio, sangue novo a circular nas artérias que alimentam os circuitos do nosso raciocínio. Há que não ter medo de pedir ajuda, de pôr a mão no ar, de perguntar a alguém. Conheces alguém que me possa ajudar?

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